FESTIVAL CARIJO DA CANÇÃO GAÚCHA

FESTIVAL CARIJO DA CANÇÃO GAÚCHA 32 ANOS

        O Carijo da Canção Gaúcha é um festival de música nativista realizado anualmente no município de Palmeira das Missões, sempre no último final de semana do mês de maio, com duração de quatro dias. Em 2017, o festival está completando 32 edições ininterruptas e para comemorar, o público poderá acompanhar a competição musical e shows de artistas convidados. A 32ª edição inicia na quinta-feira dia 25 de maio e encerra no domingo, dia 28 de maio, totalizando quatro dias de celebração a essência do tradicionalismo e as manifestações culturais que permanecem vivas na memória e no dia a dia dos gaúchos.

      O Carijo da Canção Gaúcha é realizado pela Prefeitura Municipal de Palmeira das Missões, com a coordenação da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, auxiliada pela Comissão Organizadora e com o indispensável suporte financeiro, em grande maioria, das empresas locais e da região.

 

Objetivo do festival:

        Incentivar a criatividade artística de compositores, intérpretes e instrumentistas no que tange à temática tradicionalista do Rio Grande do Sul; Revelar novos talentos e facilitar a difusão de suas realizações artísticas; Promover a integração de artistas, grupos e poetas dedicados ao culto da autêntica música gaúcha; Valorizar os ritmos tradicionais do Rio Grande do Sul de modo a integrá-los ao conjunto da cultura musical do Brasil; Premiar e difundir as composições destacadas no evento; Promover e potencializar o turismo local através da cultura do Rio Grande do Sul e do país.

 

Justificativa e Contrapartida Social:

        A linha musical do festival é a música tradicional do nosso Estado manifestada em seus diversos ritmos, cantando a vida e a lida do povo gaúcho nas perspectivas do amor, do civismo, da moral, da religiosidade, da história, das atividades agropastoris, das etnias e da preservação ambiental, entre outros temas pertinentes ao convívio social.

        O Carijo da Canção Gaúcha é Patrimônio Cultural do Estado conforme a Lei Estadual nº 12.282/05 e se encontra plenamente inserido na vida dos palmeirenses e de todos os gaúchos que prezam e preservam os autênticos valores culturais do Rio Grande do Sul. Cumprindo também com a sua missão social e comunitária, o festival tem contribuído para amenizar as dificuldades enfrentadas por diversos segmentos da nossa população, pois colabora para a geração de emprego e renda, fortalece o comércio local, incentiva o turismo e o desenvolvimento da cultura local.

        Com o Carijo da Canção Gaúcha, Palmeira das Missões escreveu uma página de destaque no calendário dos grandes festivais nativistas que hoje compõem o mapa cultural do Rio Grande do Sul com sucesso incomum. Talvez seu êxito não se deva apenas ao sentido de puro divertimento, mas pelo consagrado prestígio da arte. Uma forma de regresso às origens, redescobrindo a fonte de nossos mais genuínos valores, que devemos manter e aprimorar para o progresso cultural do grande Todo que é a Nação.

 

ORIGEM DO NOME DO FESTIVAL

        O título nos parece além de expressivo, muito feliz para Palmeira das Missões que é filha da erva-mate. Ela começou no início do século XIX como" Vilinha do Erval'', um rancheiro de capim localizado na mesma coxilha onde se realizava este festival em que as caravanas de carretas, vindas de Cruz Alta se abasteciam do "ouro verde das matas", a primeira das riquezas que os jesuítas nos legaram.Tal era a quantidade e principalmente a qualidade da ilex paraguaniensis aqui existentes, que o primtivo acampamento cresceu tanto como reza um relato da época que em breve passou a sede de um distrito com cerca de quinze mil quilometros quadrados entre Santa Bárbara do Sul e Irai por um lado e Passo Fundo  e Santo Angelo por outro.

        Todas as operações do preparo da erva-mate podem ser individuais: o corte, o sapeco, o cancheio, o soque e o condicionamento. A secagem do Carijo,entretanto,deve ser coletiva. A vigilância contra possíveis incêndios provocados por fagulhas do braseiro intenso, exige muitos olhos e a constante destreza no controle das chamas com o auxílio de guampas d'agua durante as três noites de ronda do Carijo. A elas concorrem os operários, visitantes e até moças, fato que justifica o sentido de namoro, da expressão Carijo aceso em Palmeira das Missões.

      Verdadeiro salão social dos ervateiros, o Carijo, desde suas origens foi um ritual festivo e competitivo em que as noites de ronda se encurtavam com anedotas, chistes, causos, assombrações, os desafios rimados e os descantes ao som do violão ou da acordeona, animados a trago de canha.Tudo isso agora revive simbolicamente no Carijo da Canção Gaúcha com o concerto de artistasde todo o Brasil.

        O Carijo nasceu vitorioso graças ao decidido apoio da Prefeitura de Palmeira das Missões através da antiga Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo e da comunidade palmeirense que através de duzentas e cinquenta  e uma inscrições em sua primeira edição,atestam bem o que dissemos.

                                                                                                                                        Palmeira das Missões, Maio,1986, Mozart Pereira Soares

 

 

 

A LENDA DA ERVA-MATE

 

A narração da lenda da erva-mate contém a certa altura o seguinte trecho:

 

        “O emissário de Tupã sorriu. Em suas mãos brilhava, recoberta de uma luz estranha, uma planta repleta de folhagens verdes. – Deixa crescer esta planta, bebe de tuas folhas e terás o companheiro que pedes. Esta erva traz em si a graça de Tupã e se estenderá pelas matas, trazendo o conforto não só a ti, mas a todos os homens de tua tribo. Estas palavras, ditas à índia Caá-Yari a transformaram na deusa dos ervais e dos ervateiros, espalhando a crença de que Caá-Yari, que é invisível para todos, pousa sempre nos feixes de erva aumentando o peso da colheita.”

        O conhecimento desta lenda revela a influência e a força que exerceu a erva-mate sobre a economia do município da grande Palmeira das Missões, como produto nativo interligado às próprias tradições históricas. Tão intensamente se fixou esta imagem que o município já tinha apreciável produção pecuária e agrícola, mas continuava sendo conhecida como a Capital da Erva-Mate. Com o desmembramento de mais de 50 municípios, a quantidade de nossa produção foi reduzida, mas a qualidade de nossa erva-mate continua nos brindando com uma honrosa dádiva, a de sermos reconhecidos como a terra da melhor erva-mate do Brasil.